Após fonoaudióloga presa por agredir criança com hidrocefalia em Jequié, especialistas orientam: como escolher um bom terapeuta e identificar sinais de abuso.
Criança de 8 anos era atendida há três anos pela profissional; caso reacende alerta para violência contra pacientes com deficiência; psicóloga lista sinais de alerta para os pais.
Após fonoaudióloga presa por agredir criança com hidrocefalia em Jequié, especialistas orientam: como escolher um bom terapeuta e identificar sinais de abuso. Foto: Divulgação / Polícia Civil. O caso da fonoaudióloga presa em Jequié na segunda-feira (02Mar26) sob suspeita de agredir uma criança de 8 anos com hidrocefalia durante atendimento terapêutico chocou a região e acendeu um alerta para famílias que dependem de profissionais de saúde para o cuidado de crianças com deficiência .
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A vítima, que tem diagnóstico de hidrocefalia (condição neurológica caracterizada pelo acúmulo de líquido no cérebro), era atendida pela profissional havia cerca de três anos em uma clínica instalada na extensão da residência da suspeita, no bairro Pompílio Sampaio. A prisão ocorreu após denúncia de um familiar, que relatou as agressões ocorridas no dia 23 de fevereiro. Durante a busca, a polícia apreendeu um DVR do sistema de monitoramento e prontuários para perícia.

Diante da gravidade do caso, o BomFm ouviu especialistas para orientar pais e responsáveis sobre como escolher profissionais de confiança e, principalmente, como identificar possíveis sinais de abuso ou negligência durante atendimentos terapêuticos.
Sinais de alerta: mudanças no comportamento da criança.
A psicóloga Camila Sousa de Almeida, especialista em atendimento a vítimas de violência, explica que crianças que sofrem abuso raramente verbalizam o que acontece, mas o comportamento fala.
"Quando a criança está sendo agredida ou abusada durante um atendimento, ela muda o padrão. Pode apresentar medo de ir para a terapia, choro antes das sessões, resistência extrema para entrar no local onde o profissional atende. Em casa, podem surgir sintomas como pesadelos, agressividade repentina, regressão no desenvolvimento, como voltar a fazer xixi na cama, e mudanças no apetite", alerta.
Outros sinais importantes:
• Medo específico de uma pessoa (no caso, do terapeuta)
• Esconder partes do corpo ou demonstrar vergonha excessiva
• Mudança brusca no desempenho escolar
• Isolamento social
• Surgimento de comportamentos sexuais inadequados para a idade
Como escolher um bom profissional de saúde infantil?
A escolha de um terapeuta – seja fonoaudiólogo, psicólogo ou terapeuta ocupacional, é tão importante quanto a escolha do pediatra. Especialistas listam critérios essenciais:
1. Verifique as credenciais: Consulte o conselho profissional (CRFa para fonoaudiólogos, CRP para psicólogos) para confirmar registro ativo e ausência de punições éticas.
2. Busque referências: Converse com outros pais, peça recomendações a médicos de confiança e pesquise avaliações online.
3. Observe o ambiente: A clínica deve ser limpa, organizada e, preferencialmente, ter áreas visíveis que permitam acompanhamento indireto. Ambientes fechados e sem transparência devem acender alertas.
4. Acolhimento e empatia: Um bom profissional escuta os pais com atenção, explica o tratamento de forma clara e demonstra paciência com a criança.
5. Direito de acompanhar: Pais têm o direito de perguntar se podem acompanhar as sessões – total ou parcialmente. Desconfie de profissionais que proíbem terminantemente a presença dos responsáveis sem justificativa clínica plausível.
6. Alinhamento de valores: O profissional deve respeitar as escolhas e valores da família, orientando sem impor condutas.
Hidrocefalia: o que é e por que aumenta a vulnerabilidade?
Diferentemente de informações que circularam inicialmente, a vítima não tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas sim hidrocefalia, condição caracterizada pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano no cérebro. Crianças com essa condição frequentemente necessitam de cuidados contínuos e múltiplas intervenções terapêuticas, o que as torna mais expostas a diferentes profissionais e, infelizmente, mais vulneráveis a situações de abuso.
O que fazer em caso de suspeita?
Se você desconfiar que seu filho está sofrendo qualquer tipo de violência durante atendimentos:
1. Interrompa imediatamente as sessões com o profissional suspeito.
2. Procure outro profissional para uma segunda avaliação clínica.
3. Registre boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).
4. Denuncie ao conselho profissional (CRFa, CRP, etc.) para abertura de processo ético.
5. Busque apoio psicológico para a criança e para a família.
O caso segue em investigação
A suspeita foi localizada por equipes da 1ª Delegacia Territorial de Jequié e está à disposição da Justiça. O material apreendido passará por perícia para esclarecer os fatos. O nome da profissional foi divulgado pela imprensa como Jerusa Farias de Sousa Reis.
Foto: Divulgação / Polícia Civil.
Fonte: Portal BomFm com informações da Polícia Civil e especialistas consultados.
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