O dilema de Zé Cocá: com recuo de Zé Ronaldo, escândalo do Banco Master e perda de dois vereadores, vice de ACM Neto ou candidatura própria à Câmara Federal?
Base governista na Câmara de Jequié encolheu de 16 para 14 vereadores na semana passada; prefeito pressiona por obras regionais com urgência e sonha com dois marcos: o destombamento do Mercado Municipal e a construção do aeroporto regional.
O dilema de Zé Cocá: com recuo de Zé Ronaldo, escândalo do Banco Master e perda de dois vereadores, vice de ACM Neto ou candidatura própria à Câmara Federal? Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal. O tabuleiro político da Bahia ganhou novos contornos nas últimas semanas, e o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), encontra-se diante de uma encruzilhada eleitoral. De um lado, a vaga de vice-governador na chapa encabeçada por ACM Neto (União Brasil) tornou-se uma possibilidade concreta após o recuo do prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União Brasil). De outro, o escândalo envolvendo o Banco Master, que resultou em pagamentos de R$ 3,6 milhões à empresa do ex-prefeito de Salvador, adicionou um elemento de incerteza à candidatura oposicionista.
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A base legislativa sofre baixas
Na semana passada, a base governista do prefeito na Câmara Municipal de Jequié sofreu duas baixas significativas. Os vereadores Marcos do Ovo (PV) e Duda Simões (PSDB) comunicaram, por meio de carta aberta, a ruptura com a base governista. Com isso, a base, que contava com 16 parlamentares, passou a ter 14, enquanto a oposição cresceu de 3 para 5 vereadores no legislativo municipal.
O movimento surpreendeu aliados e acendeu um alerta no entorno de Cocá. A perda de dois vereadores em um curto espaço de tempo, sem justificativa pública, sugere que pode haver insatisfações não verbalizadas ou articulações em andamento envolvendo outros grupos políticos da região.
Os dois sonhos de Zé Cocá
Enquanto negocia nos bastidores seu futuro eleitoral, o prefeito de Jequié persegue dois projetos que considera fundamentais para seu legado político e para o desenvolvimento da cidade e região.
O primeiro é o Aeroporto Regional. Em fevereiro deste ano, durante a abertura dos trabalhos legislativos na Câmara Municipal, Cocá voltou a cobrar publicamente o andamento da obra, que considera estratégica não apenas para Jequié, mas para toda a microrregião.
"O governador já falou 100 vezes sobre esse aeroporto. A gente precisa que o governador agora diga se vai fazer, quando vai fazer e como será. É momento de a gente discutir desapropriação, de discutir começar um plano para isso", afirmou .
O prefeito argumenta que o equipamento é viável e necessário. "Você pega todo o Vale de Jiquiriçá, grande parte do Recôncavo e o Médio Rio de Contas com Jequié, então dá viabilidade ao aeroporto", justificou . Em fevereiro, o vereador Emanuel Campos (Tinho) apresentou indicação solicitando estudos técnicos para implantação do aeroporto, com possibilidade de localização em Jequié, no Entroncamento de Jaguaquara ou em Manoel Vitorino .
O segundo projeto é a reforma do Mercado Municipal na Praça da Bandeira. O antigo Mercado Municipal, inaugurado em 21 de setembro de 1954 na primeira gestão do ex-prefeito Antônio Lomanto Júnior, teve seu tombamento histórico e arquitetônico efetivado pelo decreto municipal nº 20.322/2020, com base na Lei Municipal nº 2.024, sancionada em outubro de 2017 pelo então prefeito Sérgio da Gameleira .
No entanto, a Prefeitura de Jequié enfrenta questionamentos na Justiça sobre uma obra de construção de um novo espaço destinado ao comércio informal na área externa que circunda o antigo mercado. O juiz Luis Henrique de Almeida Araújo, da 2ª Vara dos Feitos de Relações de Consumo, Cíveis e Comerciais da Comarca de Jequié, concedeu prazo de 72 horas para que o prefeito Zé Cocá preste esclarecimentos sobre a edificação. A ação, protocolada pelo advogado Abdjalili Pereira Belchote, questiona o impacto ambiental da obra na vizinhança, em desacordo com o Plano Diretor Urbano, e alega que a construção prejudica a visão do prédio tombado .
O caso pode levar à discussão sobre um possível destombamento do imóvel para viabilizar uma reforma de maior porte. A medida, no entanto, é cercada de controvérsias, já que o tombamento foi criado justamente para "proteger a edificação de possíveis intervenções indevidas que, eventualmente, possam ocorrer no futuro" .
O significado político dos projetos
Para analistas políticos consultados pela reportagem do Portal BomFm, a persistência de Cocá em relação a essas duas obras revela uma estratégia de construção de legado. O aeroporto regional é visto como um equipamento que beneficiaria toda a região do Médio Rio das Contas e Vale do Jiquiriçá, consolidando Jequié como polo logístico e econômico. Já a reforma do Mercado Municipal representa uma intervenção no coração simbólico da cidade, com potencial de marcar a gestão do prefeito na memória dos jequieenses.
"Zé Cocá quer deixar sua marca na cidade. O aeroporto é o sonho de desenvolvimento regional; o mercado é a intervenção no centro histórico, no espaço onde a cidade nasceu. São dois projetos que, juntos, dariam a ele um legado comparável ao de Lomanto Júnior, que inaugurou o mercado em 1954", avaliou uma fonte do meio político local.
A pressão por obras e a estratégia eleitoral
A pressão por obras estruturantes, segundo analistas, pode ser lida como um indicativo do caminho que Cocá pretende seguir. Se optar por disputar a Câmara Federal, precisará de realizações concretas para apresentar ao eleitorado. As obras seriam o combustível de sua campanha, a prova de que é capaz de entregar resultados.
Se optar por ser vice de ACM Neto, as obras também são importantes: consolidam seu legado e justificam a aliança com a oposição, mostrando que ele conseguiu trazer investimentos para a região mesmo antes de eventualmente assumir o governo do estado.
O dilema se aprofunda
A combinação dos fatores, recuo de Zé Ronaldo, escândalo do Banco Master, perda de dois vereadores e a persistente busca por obras estruturantes, coloca Cocá diante de uma decisão complexa.
Se optar por compor a chapa como vice de ACM Neto, terá projeção imediata no estado, mas correrá o risco de ficar sem mandato caso Neto seja derrotado, especialmente considerando o desgaste causado pelo escândalo do Banco Master. Se escolher disputar a Câmara Federal, garante mandato, mantém a base unida e preserva sua influência regional, mas abre mão da projeção imediata que a vice-governadoria proporciona.
Analistas políticos consultados pela reportagem apontam que, diante dos movimentos do prefeito, a candidatura à Câmara Federal pode ser o caminho mais alinhado com seus interesses de longo prazo. A pressão por obras, nessa leitura, não seria para justificar apoio a Neto ou a Jerônimo, mas para construir um legado que sustente uma candidatura própria.
Os dois sonhos de Cocá, o aeroporto regional e a reforma do Mercado Municipal, são, ao mesmo tempo, objetivos de gestão e moeda política. A capacidade de entregá-los (ou pelo menos de avançar significativamente neles) pode ser o fator decisivo não apenas para seu legado, mas para seu futuro eleitoral.
A decisão, que deve ser anunciada até o fim de março, definirá não apenas o futuro político de Cocá, mas também o equilíbrio de forças no Médio Rio das Contas e no Vale do Jiquiriçá nos próximos anos.
O peso da aliança com Leur Lomanto
Em meio a esse cenário de incertezas, um nome emerge como peça central no tabuleiro: o deputado federal Leur Lomanto Jr. (União Brasil). Herdeiro político do ex-governador Lomanto Júnior, que governou a Bahia e foi prefeito de Jequié, Leur construiu sua trajetória na região e mantém forte capilaridade no Médio Rio das Contas. Atualmente, preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e comanda recursos via emendas parlamentares, com R$ 18,5 milhões destinados à saúde na Bahia apenas em 2026.
No último dia 4 de março, Leur saiu publicamente em defesa de Zé Cocá após críticas feitas pelo deputado federal Jorge Solla (PT) em um grupo de WhatsApp. Em declaração ao site Off News, Leur afirmou: "Zé Cocá construiu sua caminhada com muito trabalho. Foi eleito e reeleito prefeito de Lafayette Coutinho, deputado estadual e prefeito de Jequié, sendo reeleito com 92% dos votos, a maior votação proporcional do Brasil".
A defesa pública, no entanto, expõe a complexidade da relação. Leur tem interesse direto na permanência de Cocá na oposição e em uma eventual composição que fortaleça ambos na região. Mas qualquer movimento de Cocá pode alterar esse equilíbrio. Se optar por disputar a Câmara Federal, os dois podem se tornar concorrentes diretos na mesma base territorial, transformando aliados em adversários. Se preferir a vice-governadoria com ACM Neto, o rompimento com Leur não aconteceria, e o prefeito de Jequié não perderia o apoio de um dos principais nomes da região em Brasília.
A relação entre os dois é observada de perto por aliados e adversários. Perder o suporte de Leur Lomanto pode custar caro a Cocá, especialmente se ele próprio almejar voos mais altos. O deputado federal, com seus recursos e influência, é peça que pode tanto impulsionar quanto dificultar os planos do prefeito de Jequié nos próximos anos.
Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal.
Fonte: Portal BomFm com informações da Câmara Municipal de Jequié e fontes qualificadas.
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