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Prainha de Lomanto, dívida de R$ 405 milhões e mercado municipal ameaçado: as três frentes de crise que rondam Zé Cocá, em Jequié.

Ex-prefeito de Jequié enfrenta desgastes em múltiplas frentes: Justiça suspendeu interdição da Prainha, mas deu 90 dias para regularização; dívida pública saltou de R$ 136,6 mi para R$ 405,7 mi; e patrimônio histórico da cidade corre risco de descaracteri

Fonte: Portal BomFm com informações da Prefeitura de Jequié, Justiça Federal, Portal da Transpar
Prainha de Lomanto, dívida de R$ 405 milhões e mercado municipal ameaçado: as três frentes de crise que rondam Zé Cocá, em Jequié. Prainha de Lomanto, dívida de R$ 405 milhões e mercado municipal ameaçado: as três frentes de crise que rondam Zé Cocá, em Jequié. Foto: Divulgação / Arquivo pessoal.

O ex-prefeito de Jequié e pré-candidato a vice-governador na chapa de ACM Neto (União Brasil), Zé Cocá (PP), enfrenta um período de turbulência política e administrativa em três frentes distintas. Enquanto tenta consolidar sua candidatura ao governo da Bahia, o gestor municipal (que renunciou ao cargo em 2 de abril para concorrer às eleições) deixa um rastro de polêmicas que envolvem desde questões ambientais até o patrimônio histórico da cidade.

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1. Prainha de Lomanto: reabertura com prazo e histórico de desobediência.

A mais recente reviravolta ocorreu no caso da Prainha de Lomanto. Após ser interditada em março pela Justiça Federal devido a um histórico de degradação ambiental e construções ilegais, a Prefeitura de Jequié conseguiu uma vitória temporária.

O novo capítulo.

A administração municipal, agora sob o comando do prefeito Flavinho Santana (sobrinho de Zé Cocá), ganhou um prazo de 90 dias para apresentar laudos técnicos e jurídicos. Com essa decisão, a liminar que determinava o fechamento total da área de lazer foi suspensa, e a população já pode voltar a frequentar o local. A Prefeitura se comprometeu a intensificar o diálogo com o INEMA, a Chesf e o MPF para buscar o uso sustentável do espaço.

O histórico de desobediência (O que a Justiça apontou?).

A reabertura, no entanto, não apaga o histórico de irregularidades que levaram à interdição. Conforme amplamente noticiado pelo Portal BomFm, a crise na Prainha de Lomanto começou com o descumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2011.

Em outubro de 2024, a gestão de Zé Cocá realizou uma série de intervenções na Área de Preservação Permanente (APP) da Barragem de Pedra sem qualquer licença ambiental. Foram erguidos quiosques, quadras poliesportivas de areia, um mirante e até uma marina .

Os números da degradação são expressivos:

24.716,49 m² de área total degradada.

6.646,02 m² (26,89%) dentro da Área de Preservação Permanente.

18.070,47 m² (73,11%) em área operacional da usina, terreno da União.

Na época, o juiz federal Filipe Aquino Pessôa de Oliveira foi enfático:

"O Município não só deixou de cumprir integralmente as obrigações de demolição e recuperação em momentos anteriores, como realizou novas intervenções na APP, sem a devida autorização dos órgãos competentes". A decisão inicial impôs multa diária de R$ 100 mil por item descumprido.

2. As contas de Jequié: dívida pública de R$ 405 milhões.

Enquanto a situação da Prainha se encaminha, o clima político na cidade segue tenso. Na sessão ordinária da Câmara Municipal, o vereador Marcos do Ovo (PV) utilizou a tribuna para fazer duras acusações ao ex-prefeito.

Os números oficiais da dívida (Fonte: Tesouro Nacional).

De acordo com dados do Tesouro Nacional, a dívida pública consolidada de Jequié mais que triplicou durante a gestão de Zé Cocá . Em 2021, o saldo negativo do município era de R$ 136.602.354,22. O valor saltou para R$ 405.721.921,00 em 2025, um aumento expressivo de 195,62% .

O que diz o vereador Marcos do Ovo?

Na sessão da Câmara, o vereador Marcos do Ovo fez críticas contundentes ao ex-prefeito. Segundo o vereador, a gestão de Zé Cocá teria ampliado a dívida pública de forma significativa e destinado altos valores para propaganda e comunicação .

"Você está arrochando a população e todo o comércio em geral. Você é ganancioso, você é guloso, você é bom para gastar R$ 18 milhões na sua gestão em propaganda e comunicação. Quem está falando não sou eu, quem está falando é o Tribunal de Contas do Município", afirmou o vereador .

O vereador também afirmou que, na avaliação dele, a gestão de Zé Cocá deixou o município com um passivo financeiro elevado, incluindo precatórios, débitos consolidados e pendências com fornecedores.

Gastos com o São João de 2024.

De acordo com dados do Painel da Transparência do Ministério Público da Bahia, a Prefeitura de Jequié gastou R$ 6.214.454,80 apenas com a contratação de artistas para o São João de 2024, um aumento de 107,15% em relação a 2023 . Somadas as despesas com estrutura e outros serviços, o valor total da festa ultrapassou R$ 10 milhões para apenas quatro dias de evento .

Contratos de terceirização.

Outro ponto que levantou questionamentos foi a contratação de empresas terceirizadas pela gestão municipal. Em setembro de 2025, a Prefeitura de Jequié firmou contratos com três empresas para execução de serviços de mão de obra nas secretarias municipais, com valor total superior a R$ 58 milhões .

3. Patrimônio histórico: a ameaça ao Mercado Municipal.

A terceira frente de desgaste diz respeito à preservação da memória da cidade. O Mercado Municipal de Jequié, um dos mais importantes patrimônios históricos e arquitetônicos do município, está ameaçado.

A gestão de Zé Cocá tem sido criticada por conduzir reformas que, segundo a população e ativistas culturais, correm o risco de descaracterizar o prédio histórico. Há um movimento forte nas redes sociais para que a reforma respeite as características originais do local.

O Mercado Municipal carrega memórias, cultura e a identidade de toda uma cidade. Não podemos aceitar que isso seja destruído em nome de uma ‘modernização’ que desrespeita o passado”, diz um dos manifestos que circula nas redes.

A preocupação é que a necessidade de reforma, que é legítima e necessária, sirva como justificativa para apagar a história local. A população cobra transparência e diálogo para que a modernização não signifique descaracterização.

O cenário político.

Com a renúncia concretizada em 2 de abril e a posse de seu sobrinho Flavinho, Zé Cocá agora foca suas energias na campanha estadual . No entanto, esses três episódios, a reabertura condicional da Prainha, o endividamento de mais de R$ 405 milhões e o desgaste com a preservação do Mercado Municipal, devem acompanhar sua trajetória como pré-candidato a vice-governador.

Espaço para manifestação.

Até o fechamento desta edição, o Portal BomFm não localizou manifestação oficial de Zé Cocá sobre as acusações do vereador Marcos do Ovo. O espaço permanece aberto para manifestação do ex-prefeito.


Foto: Divulgação / Arquivo pessoal.

Fonte: Portal BomFm com informações da Prefeitura de Jequié, Justiça Federal, Portal da Transparência e MP BA.

BomFm | Jornalismo, informação e interesse público.

Tags: BomFm, Jequié, Bahia, Zé Cocá, Prainha de Lomanto, Dívida Pública, Mercado Municipal, Política, Eleições 2026, Justiça, Jornalismo, Informação, Google News.

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