Publicidade

Flávio recua e “faz o L” na escala 6x1; empresários falam em “desespero”

Senador que chamava proposta de “oportunista” muda de posição a 12 dias da eleição; aliados históricos veem incoerência e analistas apontam risco eleitoral diante da pressão popular.

Fonte: BomFm com Informações inicialmente divulgadas pelas fontes citadas e Senado Federal.
Flávio recua e “faz o L” na escala 6x1; empresários falam em “desespero” Foto: Ricardo Stuckert/PR e Pedro França/Agência Senado.

Por André Bomfim, da redação do Portal BomFm

A reviravolta de Flávio Bolsonaro (PL) sobre a PEC que acaba com a escala 6x1 expôs uma crise de coerência na campanha do candidato da extrema-direita à Presidência. Após meses defendendo publicamente uma posição contrária à proposta, o senador anunciou, na terça-feira (13), que votará a favor do texto que é uma das principais bandeiras do presidente Lula (PT) .

A mudança ocorreu a menos de 24 horas da votação prevista para esta quarta-feira (14) no plenário do Senado e foi recebida com desconfiança por aliados históricos e com ironia por adversários políticos .

📱 Receba notícias em primeira mão no WhatsApp. Clique aqui e ative as notificações.

O que Flávio dizia antes

O histórico de declarações de Flávio Bolsonaro sobre a PEC do fim da 6x1 é um retrato da contradição que marcou sua campanha. Até a semana passada, ele criticava abertamente a proposta.

19 de maio: Em declaração que ficou marcada, Flávio classificou a discussão como “inoportuna e eleitoreira” e alertou para o risco de “desemprego em massa” .

“Todo mundo é a favor que se trabalhe menos e se ganhe mais. Só que, infelizmente, não é a realidade estar nesse projeto de lei apresentado pelo governo em ano eleitoral, com uma grande carga de hipocrisia e interesse nas eleições. Ele tenta vender uma solução fácil para a população que não vai resolver, vai gerar desemprego em massa” .

29 e 30 de agosto: Questionado sobre como votaria, Flávio evitou revelar sua posição e insistiu que sua proposta alternativa era “infinitamente melhor” .

1º de setembro: Na véspera do início da análise da PEC pela CCJ, o senador foi questionado repetidas vezes por jornalistas. Sua resposta foi evasiva: “Vocês estão querendo arrancar uma palavra da minha boca, o que vocês querem é a resposta que eu não vou dar para vocês” .

6 de outubro: Já no segundo turno, Flávio acusou Lula de oportunismo. “O governo Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento, achando que isso vai dar voto para ele” .

O que Flávio diz agora

Na terça-feira (13), após visitar o pai, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, o senador mudou o tom. A declaração foi direta:

“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6x1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6x1. Só que a gente defende algo ainda melhor” .

Flávio tentou apresentar a mudança como uma escuta à população, mas não explicou o que aconteceu com a proposta alternativa que defendia até então. Ele ainda tentou sinalizar ao empresariado que o governo bancaria a conta:

“O governo é que vai ter que bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas” .

A reação dos empresários: “desespero” e “que se virem com Flávio”

A mudança de posição causou mal-estar imediato entre empresários da indústria que vinham apoiando sua candidatura. Segundo apuração da coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles, integrantes do setor classificaram a reviravolta como um sinal de “desespero” diante da pressão popular .

A avaliação nos bastidores é que o recuo compromete a coerência do discurso do senador, sobretudo pelos possíveis impactos da redução da jornada sobre custos de produção, produtividade e competitividade .

A coluna apurou ainda que o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) , vinha conversando com representantes da indústria antes do anúncio. Uma ala da campanha defendia que ele não apoiasse a proposta. Na decisão final, prevaleceu o cálculo eleitoral .

“Se posicionar contra a redução da jornada de trabalho a apenas 12 dias do pleito representaria um risco desnecessário, diante da repercussão popular do tema”, avaliaram integrantes da campanha .

O empresário Renan Santos, presidente do Partido Missão, que ficou em quarto lugar na corrida presidencial, ironizou a situação com dureza.

“Como os empresários brasileiros votaram, fizeram campanha e agora estão me pedindo para apoiar o Flávio Bolsonaro no segundo turno, está tudo bem. Que eles reclamem com o Flávio. O empresário brasileiro é burro, imediatista, estúpido. Que se resolva com o Flávio”.

O que dizem os cientistas políticos

A análise de cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil aponta que a mudança de Flávio não foi ideológica, mas eleitoral. O risco de desgaste diante de uma pauta com 71% de aprovação popular forçou o recuo .

Para Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, Flávio esteve em uma “zona de conforto” durante boa parte do segundo turno, capitalizando o sentimento anti-PT sem precisar se expor em temas concretos. Agora, confrontado por uma mobilização governista maior, precisou se posicionar .

“Quanto maior a percepção de risco de Flávio, maior a chance dele se expor. Agora ele precisa correr atrás, responder a essa agenda do governo, sair de uma zona de conforto”, afirmou .

Cortez avalia que o aceno ao empresariado,com a promessa de que “o governo vai pagar a conta”, tenta equilibrar a demanda da categoria com o anseio popular. Mas o cientista político alerta que a conta não fecha: Flávio defende, ao mesmo tempo, corte de gastos, redução da carga tributária e manutenção dos programas sociais .

“Ele está sinalizando redução de carga tributária e manutenção da agenda social, o que, a rigor, não é nada além de seguir um sinal de continuidade do que já se tem”, avaliou .

A pressão das ruas e das redes

A reviravolta de Flávio Bolsonaro não aconteceu no vácuo. Ela ocorreu após uma semana de mobilizações estudantis e populares em todo o país, que levaram milhares de pessoas às ruas em defesa do fim da escala 6x1 e de outras pautas trabalhistas.

Os atos, organizados por entidades como a UNE, UBES e UJS, tiveram como uma das principais bandeiras a redução da jornada de trabalho. A pressão das ruas foi amplificada nas redes sociais, onde o tema se tornou um dos mais comentados da semana.

A avaliação de observadores políticos é que a combinação entre mobilização de rua e apoio popular massivo à pauta tornou insustentável para Flávio manter a posição contrária. O risco de ser percebido como o candidato que “queria escravizar o povo para regalia dos empresários” era grande demais.

Lula, por sua vez, vinha cobrando publicamente uma posição de seu oponente. “Na hora em que o Senado começar a votar, a máscara vai começar a cair”, disse o presidente na semana passada .

O que está em jogo na votação

A PEC que acaba com a escala 6x1 reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem redução salarial. A transição seria gradual: dois anos para chegar ao novo teto, à razão de duas horas a menos por ano .

Pesquisa da Nexus apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, desde que não haja redução de salário. Entre os que votaram em Lula em 2022, o apoio chega a 71% .

Do outro lado, entidades patronais estimam impactos significativos sobre o PIB. Um artigo publicado no JOTA estima uma perda de 557 mil empregos formais em um período de seis anos, concentrada nos setores de indústria, construção, comércio e agropecuária .

O que observar daqui para frente

A votação da PEC está marcada para esta quarta-feira (14) no plenário do Senado. Com o recuo de Flávio Bolsonaro, a resistência à proposta perdeu seu principal ponto de sustentação, e a expectativa é de aprovação por ampla maioria .

Mas a mudança de posição de Flávio levanta uma questão que os eleitores responderão nas urnas no dia 25 de outubro: um candidato que muda de opinião sobre um tema central a menos de duas semanas da eleição merece confiança para governar?

A resposta que as ruas deram na última semana foi clara. A pergunta que fica é se ela será repetida nas urnas.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que Flávio Bolsonaro disse sobre a escala 6x1?

Flávio Bolsonaro, que era contrário à PEC do fim da escala 6x1, anunciou na terça-feira (13) que votará a favor da proposta. A mudança ocorreu a menos de 24 horas da votação no Senado .

Por que os empresários reagiram mal?

Empresários da indústria classificaram a mudança como um sinal de “desespero” eleitoral e avaliaram que o recuo compromete a coerência do discurso do senador. Uma ala da campanha defendia que ele mantivesse a posição contrária .

O que dizem os cientistas políticos?

Para Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, a mudança não foi ideológica, mas eleitoral. Flávio teria mudado de posição para não perder votos diante de uma pauta com 71% de aprovação popular .

Qual a importância da votação da PEC?

A PEC que acaba com a escala 6x1 reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. Pesquisas apontam que 73% dos brasileiros apoiam a medida .

Resumo

• Flávio Bolsonaro anunciou que votará a favor da PEC do fim da escala 6x1, após meses defendendo posição contrária

• Empresários da indústria classificaram a mudança como “desespero” eleitoral e avaliaram que o recuo compromete a coerência do discurso

• Cientistas políticos apontam que a mudança foi motivada por risco eleitoral diante de pauta com 71% de aprovação popular

• A reviravolta ocorreu após uma semana de mobilizações estudantis e populares em todo o país

• A PEC está marcada para votação nesta quarta-feira (14) no Senado

Comente abaixo ou compartilhe sua opinião nos grupos de WhatsApp ou no Instagram.

📸 Siga o nosso Instagram:


Espaço para manifestação

O Portal BomFm mantém espaço aberto para manifestação da campanha de Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL) , das entidades empresariais citadas e de todos os agentes citados nesta reportagem, para esclarecimento, complementação ou contestação de informações objetivas.

O Portal BomFm está à disposição para repercutir os desdobramentos.

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Pedro França/Agência Senado.

Fonte: BomFm com Informações inicialmente divulgadas pelas fontes citadas e Senado Federal.

Jornalismo independente: O Portal BomFm não possui vínculo político-partidário e distingue informação factual, declaração de fonte e análise jornalística.

BomFm | Jornalismo, informação e interesse público.

Tags: BomFm, Notícias da Bahia, Bahia, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, Escala 6x1, Lula, PEC, Empresários, Análise Política.

Acompanhe o Portal BomFm em outros canais: Receba as notícias em primeira mão com privacidade garantida no WhatsApp. Acompanhe os bastidores e interaja com a gente no Instagram. Receba os principais destaques do dia no Google Notícias.


Publicidade



COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.