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Nascido em uma casa às margens de uma pequena ponte em Aiquara, Jerônimo Rodrigues comanda início da maior ponte da América Latina após 150 anos de espera

O governador da Bahia, natural do distrito de Palmeirinha, em Aiquara, Médio Rio das Contas, lidera a etapa inicial de concretização de um dos mais antigos projetos de infraestrutura do estado. Equipamentos chineses chegam em maio e obras começam em junho

Fonte: Portal BomFm com informações do Governo da Bahia, Ponte Salvador-Itaparica, Arquivo Públic
Nascido em uma casa às margens de uma pequena ponte em Aiquara, Jerônimo Rodrigues comanda início da maior ponte da América Latina após 150 anos de espera Foto: Divulgação / Concessionária Ponte Salvador-Itaparica.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, nasceu em 3 de abril de 1965 no povoado de Palmeirinha, na zona rural de Aiquara, no território do Médio Rio das Contas, no sudoeste da Bahia. Filho de Zeferino Rodrigues, agricultor familiar, e Maria Cerqueira, costureira, Jerônimo foi o penúltimo de nove filhos, todos nascidos em casa com o auxílio da parteira Dinha Cate. A casa da família ficava situada na cabeceira de uma pequena ponte de concreto, marco que acompanhou sua infância e juventude.

A Ponte Salvador-Itaparica não é um projeto isolado. A origem pessoal do gestor adquire contorno simbólico diante do momento em que sua administração dá início à implantação da maior ponte sobre lâmina d’água da América Latina, a Ponte Salvador-Itaparica envolve infraestrutura e obras  grandiosas nas duas cidades e no entorno delas.

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O PREÂMBULO: 150 ANOS EM 4 FATOS

Antes de detalhar os próximos passos, é necessário recuar no tempo. A travessia que hoje mobiliza 800 toneladas de equipamentos vindos da China começou a ser desenhada ainda no século XIX, enfrentando desde crises institucionais profundas até uma pandemia global.

1878 – A primeira mobilização popular. Um documento datado de 21 de março de 1878, localizado no Arquivo Público da Bahia, revela o anseio histórico por uma travessia mais rápida e confortável entre Salvador e Itaparica. O abaixo-assinado, reunindo 63 assinaturas e proposto por Gustavo Americo Hasselman, solicitava ao então presidente da Província da Bahia, Barão Homem de Mello, a implantação de um sistema de transporte por embarcação a vapor moderna. O documento destacava a importância do melhoramento para os portadores de beribéri, doença tratada em hospital militar na ilha:

Sendo de grande vantagem este melhoramento não só por facilitar o desenvolvimento da villa de Itaparica, como também por proporcionar aos ‘beribericos’, menos abastados, que não podem procurar alívio aos seus sofrimentos na Europa, um meio de transporte cômodo, barato e rápido”.

Foto: Arquivo Público da Bahia.

1967 – O sonho moderno. O arquiteto Sérgio Bernardes insere a ponte no Plano Diretor do Centro Industrial de Aratu (CIA), mas a ideia fica no papel por falta de viabilidade técnica e financeira à época.

2010 – O impulso político. O governador Jaques Wagner (2007-2015) dá início aos processos de Manifestação de Interesse, acreditando que a obra seria o "divisor de águas" da logística baiana.

2016-2018 – A crise política e institucional. O impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2016 e a instabilidade que se seguiu nos governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) geraram um ambiente de incertezas que dificultou o aporte de investimentos e a celeridade em projetos estruturantes de parceria público-privada (PPP), travando o avanço da ponte durante anos críticos de negociação.

2020 – A pandemia e o impacto global. O contrato da PPP foi assinado em meio à eclosão da Covid-19. A pandemia impôs severas restrições à produção e ao transporte marítimo, especialmente na China, elevando os preços dos insumos e paralisando cadeias produtivas por quase dois anos, o que inviabilizou o início das obras conforme o cronograma original .

Avanço concreto: equipamentos saem da China e chegam à Bahia.

O Governo do Estado da Bahia confirmou que, na segunda quinzena de maio, atraca na costa baiana um navio oriundo da China transportando mais de 800 toneladas de equipamentos, distribuídos em 44 contêineres. O material será destinado à montagem de uma plataforma provisória marítima, estrutura indispensável para o início físico das obras, previsto para junho deste ano .

A tecnologia embarcada, testada em grandes empreendimentos internacionais, promete reduzir em até 70% o número de embarcações de apoio necessárias e otimizar a logística da fase inicial. As intervenções ocorrerão prioritariamente em pontos estratégicos, como o município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, e na área onde será erguido o vão central da travessia .

Na semana passada, a concessionária Ponte Salvador-Itaparica, formada pelas estatais chinesas China Communications Construction Company (CCCC) e China Railway Construction Corporation (CRCC), protocolou os pedidos de alvará nas prefeituras de Salvador e Vera Cruz. Os documentos devem ser liberados em até 30 dias .

Uma necessidade do século XIX que esperou 150 anos para sair do papel.

A necessidade de ligação fixa entre Salvador e a Ilha de Itaparica é debatida desde o Império. O documento de 1878 é a prova mais antiga da mobilização popular por uma travessia mais eficiente na região.

No século XX, a proposta ganhou contornos mais concretos.

Em 1967, o arquiteto Sérgio Bernardes apresentou uma proposta dentro do Plano Diretor do Centro Industrial de Aratu (CIA), que criava um anel viário com três tipos de traçados. Na ocasião, a ponte já era vista como solução para integrar o fluxo de mercadorias entre a capital e o Recôncavo.

Nos anos 2000, estudos de viabilidade técnica e econômica foram retomados com apoio de organismos multilaterais.

Em 2010, o governo Jaques Wagner (PT) lançou oficialmente o processo de Manifestação de Interesse. Na época, o então secretário do Planejamento, José Sergio Gabrielli, defendia que a ponte era insubstituível.

Entre 2019 e 2022, o modelo foi remodelado para Parceria Público-Privada (PPP). Em dezembro de 2019, na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), o consórcio chinês (CR20 e CCCC) venceu o leilão sem concorrência, com lance de R$ 56,21 milhões anuais durante 35 anos.

Em 2020, apesar da pandemia, o contrato foi assinado em novembro daquele ano. O governo estadual justificou os atrasos posteriores devido às restrições globais, especialmente na China, que paralisou cadeias produtivas por quase dois anos .

Parlamentares confirmam cronograma.

O deputado federal Afonso Florence (PT-BA) confirmou, nesta terça-feira (21Abr26), que o primeiro navio carregado com mais de 800 toneladas de equipamentos pesados chegará à Bahia em maio. Para o parlamentar, a operação logística internacional é a prova material de que o projeto, frequentemente alvo de ceticismo nas últimas décadas, saiu definitivamente do papel .

"A chegada desses equipamentos simboliza o início de uma nova etapa. É uma ação concreta entre as muitas em curso que dão segurança ao calendário", afirmou Florence .

O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia, também destacou o marco.

"Estamos falando de uma obra que durante muito tempo foi tratada como promessa, mas que agora apresenta fatos concretos, com equipamentos chegando e etapas sendo iniciadas", afirmou. Rosemberg também criticou setores da oposição que mantêm um discurso de descrença em relação à ponte.

Pandemia e gargalos globais atrasaram cronograma.

O contrato da PPP foi assinado antes da eclosão da Covid-19. No entanto, a pandemia impôs restrições severas à produção e ao transporte marítimo, especialmente na China, que manteve cadeias produtivas parcialmente paralisadas por quase dois anos. Equipamentos e componentes essenciais para a fase inicial da ponte ficaram retidos ou tiveram fabricação suspensa. Com a retomada da indústria chinesa e a normalização do comércio internacional a partir de 2024, o projeto recuperou o fôlego e entrou na etapa de execução .

Impacto regional: 10 milhões de pessoas em mais de 250 municípios.

Com 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar, a ponte conectará Salvador à BA-001, na Ilha de Itaparica, criando um novo corredor logístico que integra o Recôncavo, o Sul e o Baixo Sul do estado.

O complexo viário inclui acessos rodoviários, túneis e viadutos de interligação, além de uma nova via expressa em ambos os lados da travessia. Do lado da capital, serão 4,4 quilômetros de estruturas ligando a região da Calçada e Água de Meninos, com viadutos e túneis paralelos aos da Via Expressa. Já na Ilha de Itaparica, haverá implantação de uma via expressa de 22 quilômetros e a duplicação de um trecho de 8 quilômetros da BA-001 da localidade de Tairu até a Ponte do Funil .

Segundo projeções do governo estadual, a obra beneficiará diretamente cerca de 70% da população baiana, aproximadamente 10 milhões de pessoas, abrangendo mais de 250 municípios, com destaque para cidades como Santo Antônio de Jesus, Nazaré, Valença e Maragogipe .

Geração de emprego e tecnologia inédita.

A construção deve gerar cerca de 7 mil postos de trabalho entre diretos e indiretos, com cláusulas contratuais que priorizam a contratação de mão de obra local e a capacitação profissional de moradores da região .

O governo estadual informa que mantém canais de diálogo com comunidades da Ilha de Itaparica e do entorno de Salvador para mitigar impactos ambientais e urbanísticos, além de discutir programas de desenvolvimento socioeconômico para a região. Pescadores da região terão espaços exclusivos de navegação, com 15 metros de largura e 3,3 metros de altura, mas também poderão utilizar os canais auxiliares disponíveis .

Infraestrutura como política de Estado.

A Ponte Salvador-Itaparica não é um projeto isolado. Ela integra um conjunto de obras estruturantes executadas ou planejadas nas últimas duas décadas na Bahia, independentemente da alternância de partidos no poder, tais como o Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas (implantado a partir de 2014), a expansão da malha rodoviária estadual (BA-001, BA-099, BA-052) e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Subúrbio Ferroviário de Salvador (em fase de implantação). Essas iniciativas consolidam uma estratégia de longo prazo para ampliar a mobilidade e reduzir desigualdades territoriais.

Perguntas frequentes:

Quando começa a construção da Ponte Salvador-Itaparica?

As obras começam em junho de 2026, com a chegada dos equipamentos chineses prevista para a segunda quinzena de maio .

Qual o tamanho da ponte?

A ponte terá 12,4 quilômetros de extensão contínua sobre o mar, sendo a maior da América Latina nesse quesito.

Quanto tempo levará a construção?

O prazo total de construção é de cinco anos, com previsão de inauguração em junho de 2031 .

Quantos empregos serão gerados?

Cerca de 7 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos .

Quantas pessoas serão beneficiadas?

Cerca de 10 milhões de pessoas, em mais de 250 municípios baianos .

Quem está construindo a ponte?

O consórcio chinês formado pela China Communications Construction Company (CCCC) e China Railway Construction Corporation (CRCC), em Parceria Público-Privada (PPP) com o Governo do Estado da Bahia .

Qual o valor do pedágio?

O pedágio deverá ter preço próximo ao praticado pelo serviço de ferry-boat, que atualmente custa R$ 64,70 em dias úteis e R$ 91,70 em fins de semana e feriados .

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Espaço para manifestação.

O Portal BomFm está à disposição do Governo do Estado da Bahia e da concessionária responsável pela obra para repercutir os desdobramentos do projeto.


Foto: Divulgação / Concessionária Ponte Salvador-Itaparica.

Legenda da imagem: Plataforma operacional inédita na América Latina será implantada na Baía de Todos-os-Santos para construção da ponte.

Fonte: Portal BomFm com informações do Governo da Bahia, Ponte Salvador-Itaparica, Arquivo Público da Bahia e fontes citadas na matéria.

BomFm | Jornalismo, informação e interesse público.

Tags: BomFm, Bahia, Salvador, Ilha de Itaparica, Aiquara, Médio Rio das Contas, Ponte Salvador-Itaparica, Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner, Rui Costa, Infraestrutura, Mobilidade, Desenvolvimento Regional, PPP, Obras, Jornalismo, Informação, Google News.

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