ACM Neto perdeu 50 prefeitos, enfrenta quase 90% dos gestores municipais, Lula, Wagner, Rui Costa e Jerônimo, o homem do interior, em 2026
ACM Neto liderou as pesquisas, mas foi derrotado no segundo turno. Agora, além de enfrentar o presidente Lula e dois ex-governadores na mesma chapa, Neto perdeu ao menos 50 prefeitos para a base de Jerônimo Rodrigues, que é natural do interior.
O cenário: Neto liderava, mas perdeu.
Nas eleições de 2022, o cenário parecia favorável a ACM Neto. Pesquisas de intenção de voto chegavam a apontar o ex-prefeito de Salvador com vantagem sobre Jerônimo Rodrigues (PT) em diversos momentos da campanha. No primeiro turno, Jerônimo obteve 49,5% dos votos válidos contra 40,8% de Neto, forçando a realização do segundo turno. Na etapa final, o petista consolidou a vitória com 52,31% dos votos válidos, vencendo em 364 cidades baianas contra 53 de Neto.
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A derrota, até hoje, é objeto de análise nos bastidores da política baiana. O estrategista político Wilson Pedroso, sócio do Instituto Real Time Big Data, avaliou que a máquina pública do governo estadual foi determinante para o resultado.
“Na hora que a máquina do Estado funciona na parte fora da região metropolitana, é a máquina pública se posicionando contra o ACM Neto, e ele acaba perdendo a eleição”, afirmou em entrevista à Baiana FM.
O cientista político Cláudio André de Souza, professor da UNILAB, resume o dilema da oposição:
“Sem interiorização não há viabilidade eleitoral na Bahia, um desafio que vai exigir coordenação e inteligência na organização da pré-campanha nos pequenos e médios municípios baianos”.
Jerônimo é o candidato do interior.
Uma informação central para entender a eleição de 2026 é a seguinte: Jerônimo Rodrigues é o candidato do interior. Ele não precisa de um “vice do interior” porque ele próprio é do interior, natural de Aiquara, no Médio Rio das Contas, e construiu sua trajetória política fora da capital.
ACM Neto, por outro lado, é de Salvador. Para tentar equilibrar a chapa e ampliar sua capilaridade fora da capital, o ex-prefeito buscou um vice com forte base no interior. A escolha recaiu sobre Zé Cocá (PP), prefeito de Jequié, reeleito com 92% dos votos, ex-presidente da UPB e com articulação no sudoeste baiano, após negativas de Zé Ronaldo, prefeito de Feira de Santana.
O cientista político Cláudio André de Souza analisa que Neto reconheceu a força da estratégia petista e por isso acabou escolhendo Cocá.
“De maneira geral, a oposição reconhece que sem interiorização não há viabilidade eleitoral na Bahia”.
O lançamento da chapa foi realizado em Feira de Santana, o segundo maior colégio eleitoral da Bahia, justamente para sinalizar a importância do interior na estratégia de campanha. O prefeito José Ronaldo (União Brasil) destacou a escolha:
“Essa decisão de trazer o interior para dentro da chapa é o reconhecimento da força do interior, de quem constrói essa Bahia todos os dias”.
Jaques Wagner e Rui Costa na mesma chapa: dois ex-governadores de peso.
Outro fator que alterou significativamente o cenário eleitoral foi a composição da chapa petista para 2026. Diferentemente de 2022, quando Jerônimo Rodrigues encabeçou a chapa ao lado de Geraldo Júnior (MDB), agora o governador terá ao seu lado dois nomes de peso nacional: o senador Jaques Wagner e o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, pré-candidato ao Senado.
Wagner, ex-governador da Bahia (2007-2015) e ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, é uma das lideranças políticas mais influentes do estado. Rui Costa, ex-governador (2015-2023) e atual ministro de Lula, também carrega consigo um capital político expressivo, especialmente no interior, onde construiu uma base sólida ao longo de oito anos de governo.
A estratégia de unificar as três principais lideranças petistas na mesma chapa, Jerônimo (governador), Wagner (senador) e Rui Costa (senador), tem como objetivo consolidar a narrativa de continuidade do projeto político do PT na Bahia e conectá-la à campanha nacional de Lula.
O fator Lula: um peso que não sai da Bahia.
Um dos principais desafios de ACM Neto para 2026 é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2022, Lula teve um papel decisivo na eleição baiana, transferindo votos para Jerônimo Rodrigues. Em 2026, a expectativa é que o presidente esteja ainda mais engajado na campanha petista, já que a Bahia é um dos seus redutos eleitorais mais fiéis.
Ao contrário de 2022, quando enfrentava Jair Bolsonaro (PL), um presidente que, embora tenha perdido na Bahia, carregava a narrativa de outsider e anticorrupção, Lula agora é o atual presidente da República. Jerônimo Rodrigues é o atual governador, apoiado por dois ex-governadores bem avaliados (Jaques Wagner e Rui Costa) e pelo próprio Lula. O contraste de forças é significativamente diferente.
Além disso, o bolsonarismo chega enfraquecido a 2026. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal articulador do ex-presidente no Senado, não carrega a mesma imagem de “anticorrupção” do pai, pelo contrário, foi acusado em investigações sobre rachadinhas, mas processo não seguiu devido a erros no processo. O ex-presidente Jair Bolsonaro está preso, cumprindo prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Após quase quatro meses preso entre a Superintendência da PF e a Papuda, e internação por broncopneumonia, carrega o desgaste de uma condenação. A transferência de votos desse campo para ACM Neto, portanto, é incerta e limitada.
O próprio ACM Neto já sinalizou que não seguirá o bolsonarismo. Em publicação nas redes sociais em 14 de abril, o ex-prefeito declarou apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), para a Presidência em 2026.
“Agora, a minha posição os baianos já conhecem: eu estou ao lado de Ronaldo Caiado”, afirmou. O portal BomFm publicou a matéria, confira.
A decisão frustrou setores do bolsonarismo na Bahia, que esperavam alinhamento com Flávio Bolsonaro. A pré-candidata a deputada federal Raíssa Soares (PL) condicionou o apoio do partido a Neto a uma condição clara:
“Você quer o voto da direita? Então traga Flávio Bolsonaro para o seu palanque”. foi matéria no portal BomFm, confira.
O voto da esquerda tende a se manter, e os novos prefeitos somam forças à situação.
Enquanto a oposição perde prefeitos, a base governista ganha. O governador Jerônimo Rodrigues já conta com o apoio de 356 prefeitos, e esse número continua crescendo. O voto da esquerda, tradicionalmente fiel na Bahia, tende a se manter. Agora, a eleição também pode somar os votos dos eleitores dos prefeitos que antes eram oposição a Jerônimo e agora integram sua base. Esse movimento amplia a capilaridade do governo e reduz o espaço da oposição no interior.
A debandada de prefeitos: Neto perdeu ao menos 50 aliados.
Enquanto o governo estadual avança na articulação com os municípios, ACM Neto enfrenta uma debandada silenciosa, mas consistente, de prefeitos que o apoiaram em 2022. Levantamento do panorama da Bahia identificou ao menos 50 nomes de gestores que romperam com o ex-prefeito para se alinhar ao governador Jerônimo Rodrigues.
A lista completa de prefeitos que migraram da base de ACM Neto para o governo Jerônimo Rodrigues inclui:
Aiquara – Valéria Ribeiro (PP)
Araçás – Agamenon Coelho (União Brasil)
Barro Preto – Juraci da Saúde (Avante)
Brejões – Rick de João Lulu (Avante)
Brumado – Fabrício Abrantes (Avante)
Buerarema – Gel da Farmácia (União Brasil)
Buritirama – Dr. Léo (MDB)
Barra do Mendes – Dr. Néu (PP)
Caturama – Tõe Leão (PSD)
Coaraci – Miltinho do Axé (PSD)
Condeúba – Micael Odílio (MDB)
Cordeiros – Devani Pereira (PDT)
Cruz das Almas – Ednaldo Ribeiro (Republicanos)
Gongogi – Adriano Mendonça (Avante)
Guanambi – Nal Azevedo (Avante)
Ibititá – Dr. Afonso (MDB)
Ibirapitanga – Jé (Avante)
Ibiquera – César Almeida (Avante)
Iramaia – Piu de Santo (PP)
Itagi – Saulo Islan (União Brasil)
Itanagra – Marcus Sacramento (Avante)
Itapetinga – Eduardo Hagge (MDB)
Itatim – Daiane (PSD)
Itororó – Dr. Adauto (PSB)
João Dourado – Di Cardoso (PRD)
Jussiape – Zé Luz (Avante)
Mata de São João – Bira da Barraca (União Brasil)
Milagres – Marcos Queiroz (PP)
Mansidão – Dr. Juvio
Nilo Peçanha – Jacque Soares (Podemos)
Paulo Afonso – Mário Galinho (PSD)
Piraí do Norte – Dr. Fabiano (PP)
Pojuca – Luizinho Trinchão (PSD)
Riachão das Neves – Moab (Republicanos)
Ribeira do Amparo – Teti Brito (MDB)
Rio do Pires – Zé Marcos (Avante)
Santa Cruz Cabrália – Girlei (PDT)
Santa Luzia – Fernando Brito (Avante)
Santa Maria da Vitória – Tonho de Zé de Agdônio (União Brasil)
Santana – Zé Raul (MDB)
Sapeaçu – Ramon de Sena (Republicanos)
São Félix do Coribe – Toni de Dalmir (PP)
São Miguel das Matas – Baleia (Avante)
São Sebastião do Passé – Nilza da Mata (PSD)
Serra Preta – Franklin Leite (Avante)
Sítio do Mato – Alfredinho Magalhães (União Brasil)
Tanhaçú – Valdemir Gondim (PSD)
Tancredo Neves – Quinha (Avante)
Teixeira de Freitas – Dr. Marcelo Belitardo (União Brasil)
Ubaitaba – Gracinha (Avante)
A migração de prefeitos do União Brasil e de partidos aliados para a base governista é apontada por analistas como um dos fatores que podem dificultar a construção de palanques para Neto no interior.
A declaração que gerou revolta: “300 prefeitos muda nada”.
Em 15 de fevereiro de 2026, ACM Neto deu uma declaração que caiu como uma bomba entre os gestores municipais. Ao comentar o fato de o governador Jerônimo Rodrigues contar com o apoio de quase 90% dos prefeitos baianos, o ex-prefeito afirmou:
“Com todo o respeito aos prefeitos, quem resolve a eleição é o povo. Quero apoio do povo, das pessoas. Respeitando as autoridades locais, não vou municipalizar a eleição. Essa coisa de ter 300 prefeitos muda nada, representa nada”. foi notícia aqui no portal BomFm, confira.
A fala foi interpretada por muitos gestores como desprestígio e desrespeito às lideranças municipais. Prefeitos aliados e até mesmo aqueles que ainda mantêm diálogo com o grupo de ACM Neto avaliaram, reservadamente, que o ex-prefeito errou o tom ao minimizar a importância das administrações locais — especialmente em um estado onde o interior costuma ter peso decisivo em disputas majoritárias.
O deputado estadual Niltinho (PP) criticou a postura de Neto.
“Os prefeitos que apoiaram ACM Neto em 2022 já experimentaram sua arrogância e ingratidão. Querem agora distância de seu estilo autoritário. Pesa contra ele ainda a fama de não cumprir acordos. Com esse histórico, os prefeitos querem distância dele”, afirmou.
O que está em jogo na eleição de 2026.
A disputa pelo governo da Bahia em 2026 será definida não apenas por pesquisas de intenção de voto, mas pela capacidade de cada lado de construir alianças sólidas no interior. O professor Victor Pinto, jornalista e consultor político, resume o cenário:
“A eleição de 2026 será decidida nas estradas, nas cidades médias, nos pequenos municípios. Será decidida por quem tiver mais ‘puxadores do voto’ ao seu lado”.
Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues consolida uma base de 356 prefeitos e conta com o apoio de Lula, Wagner e Rui Costa, ACM Neto enfrenta uma debandada de 50 gestores municipais e precisa reconstruir pontes em um cenário de desgaste. O voto da esquerda tende a se manter, e os novos prefeitos que aderiram ao governo podem levar consigo o eleitorado que antes votava na oposição.
A declaração do ex-prefeito minimizando o peso político dos prefeitos pode ter sido um divisor de águas. Resta saber se Neto conseguirá reverter o quadro e evitar que a “arrogância” apontada por seus críticos se traduza em mais uma derrota nas urnas.
Perguntas frequentes:
Quantos prefeitos ACM Neto perdeu para a base de Jerônimo?
Levantamentos apontam que ao menos 50 prefeitos que apoiaram Neto em 2022 migraram para a base do governador Jerônimo Rodrigues.
Qual a principal queixa dos prefeitos que deixaram Neto?
A principal queixa relatada é o abandono político e a falta de retorno após o apoio dado em 2022, além da declaração de fevereiro de 2026, em que Neto afirmou que “300 prefeitos muda nada”.
O que muda na chapa petista para 2026?
Jerônimo Rodrigues terá ao seu lado Jaques Wagner e Rui Costa (ex-governadores) como candidatos ao Senado, além do presidente Lula no topo da campanha nacional, um reforço de peso que não existia em 2022.
ACM Neto lidera as pesquisas para 2026?
Pesquisas recentes indicam vantagem de ACM Neto sobre Jerônimo Rodrigues, mas analistas alertam que o voto no interior e o apoio de prefeitos podem reverter esse cenário, como ocorreu em 2022. A recente pesquisa Política ao Vivo/TML, aponta Jerônimo tem 52,51% contra 35,65% de ACM Neto no primeiro turno.
Por que o interior é tão importante nesta eleição?
Jerônimo Rodrigues é natural do interior (Aiquara) e construiu sua trajetória política fora da capital. ACM Neto, sendo de Salvador, buscou um vice do interior (Zé Cocá) para equilibrar a chapa. A eleição será decidida nos pequenos e médios municípios, onde os prefeitos atuam como “puxadores de voto”.
Qual a posição de ACM Neto na disputa presidencial?
Neto declarou apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), frustrando setores do bolsonarismo na Bahia que esperavam alinhamento com Flávio Bolsonaro.
O voto da esquerda pode migrar?
O voto da esquerda tende a se manter na Bahia. Além disso, os novos prefeitos que aderiram ao governo podem levar consigo o eleitorado que antes votava na oposição, ampliando a base de Jerônimo.
Espaço para manifestação.
O Portal BomFm está à disposição de ACM Neto, do governador Jerônimo Rodrigues e das demais lideranças políticas para repercutir os desdobramentos da disputa eleitoral de 2026.
Foto: Reprodução / Redes sociais.
Fonte: Portal BomFm com informações de ciêntintas e estrategistas políticos e matérias publicadas pelo BomFm.
BomFm | Jornalismo, informação e interesse pubblico.
Tags: BomFm, Bahia, Eleições 2026, ACM Neto, Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner, Rui Costa, Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Prefeitos, Análise Política, Jornalismo, Informação, Google News.
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