Alexandre de Moraes suspende aplicação da Lei da Dosimetria a condenados do 8 de janeiro
Ministro do STF decidiu que norma não deve ser aplicada até que Plenário julgue ações diretas de inconstitucionalidade. Medida visa garantir segurança jurídica.
Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu aplicação da Lei da Dosimetria a condenados do 8 de janeiro. Foto: Divulgação / STF. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu neste sábado (09 de maio de 2026) a aplicação da chamada Lei da Dosimetria (Lei 15.402/2026) aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A decisão vale até que o Plenário da Corte julgue o mérito das ações diretas de inconstitucionalidade que questionam a norma .
A lei foi promulgada na sexta-feira (08 de maio de 2026) pelo presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Congresso Nacional no dia 30 de abril .
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A decisão do ministro
Em decisões assinadas neste sábado nos autos das Execuções Penais (EPs) 41, 134, 100, 102, 43, 52, 61 e 72, ao despachar sobre pedidos de aplicação da nova lei às condenações, o ministro explicou que, por segurança jurídica, a norma ainda não deve ser aplicada .
“A superveniência de interposição de ação direta de inconstitucionalidade e, consequentemente a pendência de julgamento em controle concentrado de constitucionalidade, configura fato processual novo e relevante, que poderá influenciar no julgamento dos pedidos realizados pela defesa”, disse o ministro .
Segundo ele, é recomendável a suspensão da aplicação da lei, em respeito ao princípio da segurança jurídica, até a definição da controvérsia pelo STF, com prosseguimento regular das execuções penais em seus exatos termos, conforme o trânsito em julgado .
Na decisão, o ministro também determinou que a execução penal deverá prosseguir integralmente, mantidas todas as medidas anteriormente aplicadas aos condenados .
Questionamentos contra a norma
As Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7966 e 7967 foram ajuizadas na sexta-feira (08 de maio de 2026) pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela federação partidária PSOL-Rede .
Depois de ser designado relator, o ministro Alexandre de Moraes pediu informações ao presidente da República e ao Congresso Nacional, que devem ser prestadas em cinco dias. Na sequência, os autos serão enviados à Advocacia-Geral da União (AGU) e, depois, à Procuradoria-Geral da República (PGR), que terão prazo de três dias cada para se manifestar .
O rito adotado pelo relator está previsto no artigo 10 da Lei das ADIs (Lei 9.868/1999) .
Na ação, a ABI argumenta que “a lei impugnada compromete a integridade do ordenamento jurídico, na medida em que banaliza os ataques à democracia e desorganiza o sistema penal e de execução da pena” . A federação PSOL-Rede, por sua vez, sustenta que a lei é “incompatível com a Constituição Federal, na medida em que instrumentaliza a atividade legislativa para enfraquecer seletivamente a tutela penal do Estado Democrático de Direito” .
O que diz a Lei da Dosimetria
A Lei 15.402/2026 foi aprovada no Congresso Nacional em dezembro de 2025. O projeto foi apresentado após a frustração da tentativa de aprovar uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos demais presos do 8 de janeiro .
O presidente Lula vetou integralmente o projeto em 8 de janeiro de 2026, mas o veto foi derrubado pelo Congresso Nacional no dia 30 de abril, com 318 votos favoráveis na Câmara e 49 no Senado .
A principal alteração do projeto é o fim da somatória das penas pelos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Na prática, quando vários crimes contra o Estado são cometidos em um mesmo contexto, o juiz deve aplicar apenas a punição mais grave, em vez de somar todas as penas .
Além disso, a lei prevê uma progressão de regime mais rápida e uma redução de pena para delitos praticados em “contexto de multidão” .
O advogado Hélio Júnior, que representa a ré Débora Rodrigues (conhecida como “Débora do Batom”) e outros condenados, afirmou que a “decisão individual” de Moraes baseada em uma suspensão burocrática causa preocupação .
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é a Lei da Dosimetria?
É a Lei 15.402/2026, que altera dispositivos da Lei de Execução Penal e do Código Penal, estabelecendo novas regras de progressão de regime e redução de penas para crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito, como os atos de 8 de janeiro de 2023 .
O que decidiu o ministro Alexandre de Moraes?
Ele suspendeu a aplicação da lei aos condenados pelos atos de 8 de janeiro até que o Plenário do STF julgue as ações diretas de inconstitucionalidade que questionam a norma .
A lei já estava em vigor?
Sim. A lei foi promulgada na sexta-feira (08/05/2026) e entrou em vigor, mas sua aplicação foi suspensa por decisão do STF .
Quem questionou a lei no STF?
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a federação partidária PSOL-Rede ajuizaram as ADIs 7966 e 7967 .
O ex-presidente Jair Bolsonaro é beneficiado pela lei?
Em tese, sim. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão . Com a nova lei, as penas poderiam ser reduzidas, mas Bolsonaro pode não ser beneficiado pela redução em “contexto de multidão”, pois foi apontado como líder da trama golpista .
Até quando vale a suspensão?
Até o julgamento definitivo das ADIs pelo Plenário do STF. Ainda não há data prevista para o julgamento .
Resumo
• Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria a condenados do 8 de janeiro
• Decisão vale até o STF julgar as ADIs que questionam a norma
• Lei foi promulgada na sexta (08/05) após Congresso derrubar veto de Lula
• ADIs foram ajuizadas pela ABI e pela federação PSOL-Rede
• Moraes pediu informações a Lula e ao Congresso no prazo de cinco dias
• Execuções penais prosseguem nos termos das condenações já transitadas em julgado
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Foto: Divulgação / STF.
Fonte: Portal BomFm com informações do STF , Agência Senado e Agência Brasil.
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Tags: BomFm, Notícias, STF, Alexandre de Moraes, Lei da Dosimetria, 8 de janeiro, Jair Bolsonaro, ADI, Política
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