Jerônimo escuta baianos; ACM Neto viaja a SP e GO em busca de exemplos
Enquanto governador percorre o interior com programa de escuta popular, ex-prefeito busca referências de gestão em outros estados. Cientista político critica “soberba” do candidato do União Brasil.
Governador Jerônimo Rodrigues (PT) PGP 2026; ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) busca exemplos em SP e GO. Foto: Montagem / Divulgação. A pré-campanha para o governo da Bahia em 2026 já revelou um dos contrastes mais marcantes entre os dois principais postulantes. De um lado, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) aposta na escuta direta da população como ferramenta de construção do seu programa de governo. De outro, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) tem investido em viagens a outros estados para, segundo ele, buscar “exemplos de onde a gestão funciona”.
As duas abordagens, observadas na mesma semana, escancaram visões antagônicas sobre o que significa governar e como se relacionar com o eleitorado baiano. Buscar “exemplos de fora” pode até ser válido para aprimorar ideias, mas governar sem escutar quem vive a realidade local é um erro grave. Não há gestão eficaz sem o diálogo com quem sente os problemas na pele.
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A análise do cientista político Cláudio André
O cientista político Cláudio André publicou uma análise em suas redes sociais sobre as estratégias dos dois pré-candidatos, apontando equívocos na abordagem do ex-prefeito de Salvador.
Para o analista, enquanto Jerônimo lança o Programa de Governo Participativo para ficar mais próximo da população e ouvir suas principais demandas, ACM Neto parece estar incorrendo, mais uma vez, nos mesmos equívocos cometidos na eleição passada.
“Simbolicamente, enquanto o PT e PSD se constroem como forças simbólicas municipalistas de fôlego, Neto deu como largada uma agenda de gabinete do seu programa de governo sozinho com o marketing, conversando com paulistas e goianos sobre educação e segurança pública, respectivamente”, escreveu Cláudio .
Na avaliação do cientista político, há no núcleo da campanha do União Brasil na Bahia e principalmente em ACM Neto, por seu perfil presunçoso, uma certa “soberba de achar que o Sudeste e os de ‘fora’ são melhores que os baianos”.
“Pegou mal”, emendou Cláudio André, apontando a insistência do ex-prefeito de Salvador em desconsiderar a legitimidade dos próprios baianos para pensar soluções para a Bahia em detrimento da opinião de especialistas de outros estados.
A questão de João Santana
O analista também questionou a linha de atuação do marqueteiro João Santana, uma das apostas do candidato derrotado em 2022 para melhorar sua imagem diante do eleitor.
“Mais um erro de João Santana e seu staff?”, questionou Cláudio.
“Para piorar, no dia 2 de junho a pré-campanha fará um evento para debater a educação pública da Bahia, com Renato Feder e Mendonça Filho, dando sequência aos fóruns temáticos já realizados sobre segurança, saúde e seca. Os ‘forasteiros’ virão dar aula de gestão pública aos baianos?”, indagou o cientista político .
O modelo Jerônimo: construção coletiva e capilaridade
Diferentemente do candidato derrotado em 2022, o potencial de Jerônimo nas eleições deste ano está na sua capacidade de construir um governo presente, seja pela quantidade de agendas para fazer entregas e anúncios nos municípios, seja pela criação de políticas públicas e constante diálogo com os prefeitos e a população.
“O governador já deve ter visitado em agenda oficial algo próximo de 400 municípios baianos em quase três anos e meio de mandato”, informou Cláudio André.
O governador deu início, no dia 2 de maio, ao Programa de Governo Participativo (PGP 2026) – “Encontros para o Futuro”. O lançamento ocorreu em Irecê, com uma grande plenária que reuniu lideranças políticas, movimentos sociais e a população local .
“Nós estamos aqui fortalecendo o modo de discutir política. Isso aqui é histórico pra Bahia: um time político dizer ‘eu quero ouvir", afirmou o governador durante o evento.
A estratégia não é nova na política petista. Ela foi utilizada com sucesso por Jaques Wagner e Rui Costa em eleições anteriores. A aposta é que a capilaridade construída ao longo de quase 20 anos de gestão petista se converta em votos.
O modelo Neto: isolamento e busca fora
Para o cientista político, o ex-prefeito de Salvador aposta em uma tática de isolamento já conhecida e destinada ao fracasso, como ocorreu no último pleito.
Justificando suas viagens, ACM Neto afirmou que busca “exemplos de onde a gestão funciona”. O pré-candidato do União Brasil visitou Goiás e São Paulo para conhecer modelos de gestão que, segundo ele, poderiam ser aplicados na Bahia.
“Fui a São Paulo para buscar o exemplo da educação pública também, da saúde, que lá a regulação funciona. Lá, o povo que mora no interior consegue atendimento médico”, afirmou Neto .
Sobre Goiás, ele destacou os índices de segurança pública e educação.
“Hoje é o estado com melhores índices de proteção ao cidadão do país, melhores índices de educação do Brasil”, declarou .
O veredito do analista
“Na minha visão, quando ACM Neto dá o pontapé na agenda de pensar um programa de governo longe dos baianos mostra a força do individual à frente da construção coletiva. Um erro que o marketing não calculou corretamente? Muito simbólico estes dois atos opostos na mesma semana”, concluiu Cláudio André .
Dois modelos em disputa
• Fonte de inspiração: Jerônimo Rodrigues se baseia na própria população baiana; ACM Neto busca modelos em outros estados (GO, SP)
• Método: Jerônimo adota escuta participativa com plenárias; Neto aposta em observação técnica e benchmarking
• Ritmo de campanha: Jerônimo mantém presença constante no interior (400 municípios visitados); Neto faz viagens pontuais para fora e agendas na capital
• Base política: Jerônimo conta com mais de 350 prefeitos; Neto perdeu ao menos 40 prefeitos que o apoiaram em 2022
• Avaliação do analista: Jerônimo é visto como “governo presente, construção coletiva”; Neto é avaliado como “isolamento, soberba, individual”
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é o Programa de Governo Participativo (PGP) 2026?
É uma iniciativa do governador Jerônimo Rodrigues para construir, de forma colaborativa com a sociedade civil, as diretrizes para as políticas públicas do estado. As plenárias acontecem em diferentes territórios da Bahia .
Por que ACM Neto está viajando para outros estados?
O ex-prefeito de Salvador afirma que busca “exemplos de onde a gestão funciona” em São Paulo e Goiás para aplicar na Bahia, especialmente nas áreas de segurança pública, saúde e educação .
O que disse o cientista político Cláudio André?
Ele criticou a estratégia de ACM Neto, apontando “soberba” do ex-prefeito e questionou se a campanha repetirá o isolamento que contribuiu para a derrota em 2022 .
Quantos municípios Jerônimo Rodrigues já visitou?
O governador já visitou cerca de 400 municípios baianos em quase três anos e meio de mandato, de acordo com o analista .
Como as pesquisas estão atualmente?
Pesquisa Quaest de abril de 2026 mostra ACM Neto e Jerônimo Rodrigues em empate técnico, com 41% para Neto e entre 36% e 37% para Jerônimo, a depender do cenário testado .
Resumo
• Jerônimo Rodrigues lançou PGP 2026 para ouvir a população e construir programa de governo participativo
• ACM Neto viaja a Goiás e São Paulo para buscar “exemplos de gestão” em outros estados
• Cientista político Cláudio André critica “soberba” de Neto e aponta risco de isolamento
• Analista questiona atuação do marqueteiro João Santana na campanha oposicionista
• Governador já visitou cerca de 400 municípios e conta com mais de 350 prefeitos em sua base
• “Forasteiros virão dar aula de gestão pública aos baianos?”, indagou o cientista político
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Foto: Montagem / Divulgação.
Fonte: Portal BomFm com informações do G1 , Takta , Bahia.ba , Brado Jornal e NewsBA .
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Tags: BomFm, Bahia, Eleições 2026, Jerônimo Rodrigues, ACM Neto, Programa de Governo Participativo, Cláudio André, João Santana, Política
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