Articulação de Zé Cocá para ACM Neto naufraga no Médio Rio das Contas e Vale do Jiquiriçá; apenas 3 de 36 prefeitos, Neto enfrenta desgastes
Ex-prefeito de Jequié, que parecia ser um implacável articulador, teria apoio da maioria dos gestores nos dois territórios. Mas levou apenas o sobrinho Flávio Santana (Jequié), o irmão Binho (Lafaiete Coutinho) e aliado em Manoel Vitorino.
Ex-prefeito Zé Cocá (PP) e ex-prefeito ACM Neto(União Brasil). Foto: Reprodução / Redes sociais. Para quem parecia ser um grande articulador político e contaria com o apoio da maioria dos prefeitos do Médio Rio das Contas e do Vale do Jiquiriçá para a campanha de ACM Neto (União Brasil), o ex-prefeito de Jequié Zé Cocá (PP) amarga um resultado pífio. Nos bastidores da política regional, a conta é implacável: dos 36 municípios que integram os dois territórios, o pré-candidato a vice-governador conseguiu o apoio declarado de apenas 03 gestores.
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Parentesco e apoio: sobrinho e irmão na lista
Os três prefeitos que alinham com Zé Cocá e, por consequência, com a chapa oposicionista, têm relações diretas de parentesco ou forte alinhamento partidário com o ex-prefeito.
• Flávio Santana (União Brasil), prefeito de Jequié: é sobrinho de Zé Cocá. Assumiu o cargo em abril de 2026 após a renúncia do tio, que deixou a prefeitura para se dedicar à pré-campanha ao governo do estado.
• Binho (PP), prefeito de Lafaiete Coutinho: é irmão de Zé Cocá. Lidera o executivo na cidade do Vale do Jiquiriçá.
• Prefeito de Manoel Vitorino: mantém aliança partidária com o grupo, agregando o terceiro apoio na região.
O cenário expõe uma fragilidade evidente na articulação oposicionista. Apenas um dos três apoios declarados a Zé Cocá (Manoel Vitorino) representa uma adesão fora do círculo familiar direto.
Em Jequié, embora o prefeito Flávio Santana, sobrinho de Zé Cocá, apoie a chapa Neto/Cocá, o grupo perdeu apoio significativo na Câmara de Vereadores e entre ex-vereadores. O ex-vereador Roque Silva publicou uma nota pública em 24 de abril de 2026 pedindo desculpas por ter apoiado e feito campanha para Zé Cocá.
"A decisão de voltar seus esforços para um projeto político pessoal, visando a condição de vice-governador, evidencia que os compromissos assumidos com o nosso povo ficaram em segundo plano", escreveu.
Em Lafaiete Coutinho, o apoio tampouco se traduz em unidade executiva. O vice-prefeito Dani do Som rompeu com o prefeito Binho (irmão de Zé Cocá) e declarou apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Além disso, dezenas de prefeitos da região que apoiaram ACM Neto na campanha de 2022, incluindo gestores de siglas como União Brasil e PP, migraram para a base do governador Jerônimo Rodrigues. O próprio Portal BomFm tem mostrado que a debandada já superou 50 prefeitos em toda a Bahia.
A fragilidade do discurso articulador
Zé Cocá construiu sua trajetória política com dois mandatos como prefeito de Jequié, uma passagem como deputado estadual e a presidência de duas importantes entidades: o Consórcio Intermunicipal do Médio Rio das Contas (CIMURC) e a União dos Prefeitos da Bahia (UPB). Seu currículo pesava a favor do discurso de que ele seria o grande articulador do interior na chapa de ACM Neto.
Acontece que, após romper com o grupo petista, que antes o apoiava, o que se viu na prática foi o esvaziamento dessa articulação. Nos bastidores, articuladores de outras regiões avaliam que a força política de Zé Cocá sempre esteve atrelada ao apoio de Rui Costa e, posteriormente, de Jerônimo Rodrigues. Sem o palanque do governo estadual, a capilaridade mostrou-se bem menor.
Saída de cena e silêncio estratégico
Em entrevista concedida no dia 1º de maio, durante a Micareta de Conceição do Coité, "Coité Folia" ao portal Salvador FM, Zé Cocá foi questionado pela repórter sobre quantos prefeitos ele traria para apoiar ACM Neto. Ele desconversou. A jornalista insistiu e indagou: "Mais de 10?" O ex-prefeito respondeu, sorrindo:
"As conversas estão avançadas para puxar novos aliados. Muito mais de 10."
A fala, vaga e sem citar nomes, contrasta com os números concretos apresentados pelo Portal BomFm. Em vez de consolidar apoios, o que se vê é uma leva de ex-aliados migrando para o campo governista. O episódio expõe a dificuldade do ex-prefeito em materializar a promessa de ser o "elo" de ACM Neto com o interior.
A imagem do "homem do campo" que não colou
Outro ponto que tem gerado avaliações negativas nos bastidores é a tentativa de transferir a imagem de "homem do campo" de Zé Cocá para ACM Neto. O governador Jerônimo Rodrigues, filho de vaqueiro e agrônomo de formação, transita naturalmente com trajes de vaqueiro e tem no interior sua base de origem.
Já ACM Neto, figura historicamente ligada à capital e aos centros urbanos, apareceu com em uma cavalgada, usando comeu espetinho e dançou forró, em um vídeo em seu perfil no Instagram apareceu de boné montado em um cavalo, em tentativas de se aproximar do eleitorado rural. A estratégia, avaliam analistas, soa caricata e não tem conseguido emplacar, tampouco transferido para Neto a credibilidade sertaneja que Zé Cocá possuía.
O vídeo com inteligência artificial que gerou desgaste
A fragilidade da comunicação e da articulação ficou ainda mais evidente com um vídeo produzido por inteligência artificial e publicado no perfil de ACM Neto. O material listava supostas promessas não cumpridas por Jerônimo Rodrigues. A reação, no entanto, foi imediata e negativa.
Prefeitos de diversas cidades, incluindo Urandi, Wenceslau Guimarães e Guanambi, gravaram vídeos ou publicaram comentários desmentindo as informações, classificando a peça como "fake news". O prefeito de Urandi, Warlei Oliveira, deu uma entrevista exclusiva ao a redação do Portal BomFm, repudiou a publicação e afirmou que a abordagem do ex-prefeito de Salvador revela uma "preocupante desconexão com a realidade do interior".
O episódio, somado à baixa adesão de prefeitos do Médio Rio das Contas e Vale do Jiquiriçá, acendeu um alerta no quartel-general da oposição em Salvador, segundo fontes. A promessa de uma forte "bancada do interior" para alavancar a candidatura de ACM Neto não se confirmou, ao menos por enquanto, na macrorregião de influência do próprio pré-candidato a vice.
Sobre o prefeito de Feira de Santana
Outro sinal de fragilidade na articulação oposicionista é a ausência do prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União Brasil), nos atos públicos ao lado de ACM Neto e Zé Cocá. Principal gestor da segunda maior cidade da Bahia e correligionário do ex-prefeito de Salvador, Zé Ronaldo parece ter mantido distância dos eventos da pré-campanha oposicionista, evitando palanques e declarações públicas de apoio. O silêncio do prefeito de Feira, maior colégio eleitoral do interior, fragiliza ainda mais o discurso de que ACM Neto teria uma forte "bancada do interior" e expõe as dificuldades da oposição em consolidar apoios em cidades estratégicas fora do círculo familiar de Zé Cocá.
Sobre novas lideranças e o setor empresarial
Para além dos prefeitos, a avaliação nos bastidores é que novas lideranças do interior devem abandonar a campanha de Neto e Cocá nas próximas semanas. O movimento de migração, que já alcançou mais de 50 gestores municipais, deve se estender a outros setores organizados da sociedade, como o empresariado. A insatisfação com a postura da oposição, que tem priorizado supostos ataques pessoais vazios de propostas concretas e recorrido à disseminação de "fake news" em vídeos produzidos com inteligência artificial como declarou o prefeito de Urandi, afasta potenciais aliados do mundo do comércio, da indústria e dos serviços, que demandam planos viáveis para a economia, previsibilidade e respeito às instituições.
Perguntas frequentes
Quantos prefeitos do Médio Rio das Contas e Vale do Jiquiriçá apoiam Zé Cocá?
Segundo apuração do Portal BomFm, apenas 03 dos 36 gestores dos dois territórios estão ao lado do ex-prefeito e, por consequência, de ACM Neto: Flávio Santana (Jequié, seu sobrinho), Binho (Lafaiete Coutinho, seu irmão) e o prefeito de Manoel Vitorino.
Quem é Flávio Santana?
É o atual prefeito de Jequié e sobrinho de Zé Cocá. Assumiu o cargo após a renúncia do tio em abril de 2026.
Quem é o vice-prefeito de Lafaiete Coutinho?
O vice-prefeito de Lafaiete Coutinho é Edson Ferreira Santos, conhecido como Dani do Som (Avante). Ele rompeu com o prefeito Binho (irmão de Zé Cocá) e declarou apoio ao governador Jerônimo Rodrigues.
Zé Cocá tem mandato atualmente?
Não. Ele foi prefeito de Jequié por dois mandatos e renunciou ao último cargo (que ocupava desde 2021) para se dedicar à pré-campanha a vice-governador na chapa de ACM Neto (União Brasil).
Qual foi a reação de prefeitos ao vídeo de IA de ACM Neto?
Gestores de Urandi, Wenceslau Guimarães e Guanambi repudiaram a publicação, desmentiram as informações e classificaram o conteúdo como “fake News”, em contato com veículos locais e com a redação do Portal BomFm.
Em que cidade Zé Cocá declarou ter "muito mais de 10" prefeitos?
A declaração foi dada em Conceição do Coité, durante a Micareta da cidade, em entrevista ao portal Salvador FM no dia 1º de maio de 2026.
Resumo
• Zé Cocá demonstrava levar maioria dos prefeitos do Médio Rio das Contas e Vale do Jiquiriçá a ACM Neto.
• Nos bastidores, avaliação é que conseguiu apenas 3 dos 36 gestores.
• Entre os apoiadores estão seu sobrinho Flávio Santana (Jequié), seu irmão Binho (Lafaiete Coutinho) e aliado em Manoel Vitorino.
• Vice-prefeito de Lafaiete Coutinho, Dani do Som (Avante), rompeu com Binho e apoia Jerônimo Rodrigues.
• Zé Cocá disse em entrevista ter "muito mais de 10" prefeitos, sem citar nomes.
• Vídeo com IA de ACM Neto foi desmentido por prefeitos das duas regiões.
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O Portal BomFm está à disposição da pré-campanha de ACM Neto, de Zé Cocá e dos prefeitos citados para repercutir os desdobramentos da articulação política e eventuais atualizações sobre os apoios.
Foto: Reprodução / Redes sociais
Legenda da imagem: Ex-prefeito Zé Cocá (PP) e ex-prefeito ACM Neto(União.
Fonte: Portal BomFm com informações da apuração própria, entrevistas e fontes exclusivas.
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Tags: BomFm, Zé Cocá, ACM Neto, Eleições 2026, Médio Rio das Contas, Vale do Jiquiriçá, Flávio Santana, Binho, Dani do Som, Jerônimo Rodrigues
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